Simpatia infinita

Dia desses me aconteceu algo que considerei, no mínimo, intrigante. Algo passível de abrir o bloco de notas em 2 segundos, pontuar algumas particularidades e aguardar as idéias aquietarem para escrever sobre o assunto em pormenores.

Desde que assisti ao primeiro episódio de House – aquele médico manquitolante e anti-social que vive de diagnósticos impensáveis e Vicodin – viciei na música de abertura, Teardrop, de uma banda chamada Massive Attack. Achei a música boa a tal ponto de baixar toda a discografia, mas como sempre, me ative inicialmente a uma coletânea, no caso o Collected.

Ouvi o disco várias vezes, achando cada vez melhor. Uma faixa porém me demoliu desde a primeira escutada. Lembro que eu pensei CARALHO, MAS QUE PORRA É ESTA? A música me causava um misto de agonia e uma sensação física inexplicável que subia do estômago até a minha garganta. Pensava de novo MAS QUE CARALHO DE PORRA É ESTA? enquanto sentia os sons circulando de um lado ao outro dos meus ouvídios sem entender o porque de tamanho prazer.

Voltamos então os meus DOUZE anos (creio que era isso, mas não sei ao certo). Lembro que as preocupações àquela época eram poucas, mas entre elas estava a que daria sentido a este churumaço enfadonho: queria assistir a um maldito filme que, naquele distante ano de 1999, já devia ter passado pelo menos 15 50 vezes na TELA QUENTE. Meu pai, O SOBERANO (assim, em caps mesmo) – também conhecido como Tio Bigode – nunca me deixaria ver um filme com cenas de sexo, o que acabava sendo diretamente proporcional à minha instiga. O nome do filme: Invasão de Privacidade.

Dotado de uma inteligência extrema, arquitetei um complexo plano digno de Thomas Crown: dormiria na casa do Pedro, um amigo que morava ao lado da nostálgica COSMOS VÍDEO, onde alugaríamos 5 ou 6 filmes. Na minha cabeça, colocando o esperado VHS no final da pilha, ele passaria despercebido por Rita, a dona do estabelecimento.

Mas não contávamos com a astúcia de Rita.

Ao ver a capa do filme, o único da pilha com censura 18 anos, ela deu um sorrisinho maroto, como se já tivesse entendido tudo, e fez uma pergunta puramente retórica:

– Vocês sabem que esse filme só pode ser alugado por maiores de 18 anos, não sabem?…

Gelei. Sentia meu coração pululando dentro da minha epiglote seca. Ela virou pra mim e continuou, por puro terrorismo:

– … e que ele vai ficar no registro do cadastro do seu pai, não sabe?

Eu queria chorar. Pensei CARALHO, FODEU! A GENTE VAI SER PRESO, PEDRÃO. FODEU! Mas Pedrão nem se abalou. Muito sagaz, como se tivesse frequentado todos os tecnobregas de Porto Velho já aos 12 anos de idade, lançou a sorte:

– É Mateus, vai ter que ligar pro teu pai então, pra falar que não deu pra alugar esse.

É CLARO que Rita não comeu esse reggae, mas ela deve ter percebido o medo em nossos olhos e sentido pena. Rita era experiente. Rita sabia das coisas (mas aí é história pra depois). Eis que ela sentencia:

– Tudo bem, pode levar.

Felizes e crentes da nossa perspicácia, corremos até a casa de Pedro para ver o filme. Cabe dizer que o pai de Pedro era mais liberal, por isso podíamos ver o filme tranquilamente. Acho até que ele teria alugado a fita se tivéssemos pedido a ele. Teria me poupado  10 segundos de terror, quando me imaginei preso com bolivianos no presídio Urso Branco.

Lembro vagamente do roteiro do filme, e especificamente de três cenas que ficaram encarceradas na minha mente até hoje, logicamente coincidentemente cenas de sexo. Por um bom tempo esse foi o meu exemplo de COMO FAZER A PARADA DIREITO, TÁ LIGADO? Lembro das cenas, dos movimentos, da cor da calcinha da Sharon Stone e até da fachada do prédio. Enfim, um filme – agora não sei se realmente é bom ou ruim – que abalizou uma época.

Voltemos agora aos Massive Attack.

Dias atrás eu estava tendo uma conversa pelo mensageiro, daquelas que tu precisa manter o nome dos envolvidos em segredo para evitar danos à integridade física e moral. Vamos chamar a mocinha de Scarlett Johansson. Pois eu conversava com Scarlett sobre Massive Attack, e sobre como uma determinada música, aparentemente sem explicação alguma, me soava com uma freqüência sexual sinuosa, quase um mantra, e que naquele exato momento eu me imaginava com ela dando sentido aos sons e constância daquela melodia. Scarlett não lembrava ou conhecia a música pelo nome, no que eu rapidamente enviei, para seu deleite. Pausa para ouvir. Ela responde:

– Delícia. Acho que já ouvi essa música, não é de algum filme?

Só aí eu fui fazer o que já deveria ter feito há muito: adentrar o gúgol e digitar as palavras que me libertariam dessa parábola:  Unfinished Sympaty. O primeiro linque que me apareceu foi este. Lendo, percebi que não sou apenas eu que acho a música fantástica. Mas pisquei mesmo quando cheguei neste determinado trecho:

Mas será possível o Benedito?
Fiquei impressionado tentando entender se havia alguma relação, já que a música me soava tão natural e conhecida. Não sei se era realmente motivo pra ficar surpreso, são as peças que esse DIVERTINTE que é o nosso cérebro nos prega. Não satisfeito, fui procurar as minhas cenas preferidas pelo vasto mundo da world wide web. Eis que as encontro facilmente no Youtube:

Em seqüência, a linda cena da calcinha preta no restaurante (até os 4’30’’) logo antes da famosa cena que eu tomei a liberdade de nomear PILASTRADA:

E por ultimo, minha cena preferida, onde não mais me surpreendi com a trilha sonora: entre gemidos e sussurros, lá estavam Sharon Stone e Willian Baldwin batalhando ao som de Unfinished Sympathy.

Dia desses me aconteceu algo que considerei, no mínimo, intrigante. Algo passível de abrir o bloco de notas em 2 segundos, pontuar algumas particularidades e aguardar as idéias aquietarem para escrever sobre o assunto em pormenores.

Desde que assisti ao primeiro episódio de House – aquele médico manquitolante e anti-social (interpretado por Hugh Laurie) que vive de diagnósticos impensáveis e Vicodin – viciei na tal música de abertura, Teardrop, de uma banda chamada Massive Attack. Achei a música boa a tal ponto de baixar toda a discografia, mas como sempre, me ative inicialmente a uma coletânea, no caso o Collected, de 2006.


Vídeo da abertura, Teadrop

Ouvi o disco várias vezes, achando cada vez melhor e percebendo cada vez mais as nuances das músicas. Uma faixa porém me demoliu desde a primeira vez que escutei: lembro que eu pensei CARALHO, MAS QUE PORRA É ESTA? A música me causava um misto de agonia e uma sensação física inexplicável que subia do estômago até a minha garganta. Pensava de novo MAS QUE CARALHO DE PORRA É ESTA?, sentia os sons circulando de um lado ao outro dos meus ouvídios mas não chegava a conclusão alguma.

Voltamos então os meus DOUZE anos (creio que era isso, mas não ao certo). Lembro que as preocupações àquela época eram poucas, mas entre elas estava a que daria sentido a este churumaço enfadonho: queria assistir a um maldito filme que, naquele distante ano de 1999, já devia ter passado pelo menos 15 vezes na TELA QUENTE. Meu pai, O SOBERANO (assim, em caps mesmo) – também conhecido como Tio Bigode – nunca me deixaria ver um filme com cenas de sexo. E é claro que isso só instigava ainda mais o menino Borba. O nome do filme: Invasão de Privacidade.

Dotado de uma inteligência extrema, arquitetei um complexo plano digno de Thomas Crow: dormiria na casa do Pedro, um amigo que morava ao lado da nostálgica COSMOS VÍDEO, onde alugaríamos 5 ou 6 filmes. Na minha cabeça, colocando o esperado VHS no final da pilha, ele passaria despercebido por Rita, a dona do estabelecimento.

Mas não contávamos com a astúcia de Rita.

Ao ver a capa do filme, o único da pilha com censura 18 anos, ela deu um sorrisinho maroto, como se já tivesse entendido tudo, e fez uma pergunta puramente retórica:

– Vocês sabem que esse filme só pode ser alugado por maiores de 18 anos, não sabem?…

Gelei. Sentia meu coração pulsando dentro da minha epiglote seca. Ela virou pra mim e continuou, por puro terrorismo:

– … e que ele vai ficar no registro do cadastro do seu pai, não sabe?

Eu queria chorar. Pensei CARALHO, FODEU! A GENTE VAI SER PRESO, PEDRÃO. FODEU!

Mas Pedrão nem se abalou. Muito sagaz, como se tivesse freqüentado todos os tecnobregas de Porto Velho já aos 12 anos, lançou a sorte:

– É Mateus, vai ter que ligar pro teu pai então, pra falar que não deu pra alugar esse.

Que menino astuto! É CLARO que Rita não comeu esse reggae, mas ela deve ter percebido o medo em nossos olhos. Rita era experiente. Rita sabia das coisas. Mas aí é história pra depois. Então ela sentenciou:

– Tudo bem, pode levar.

Foquemos nos meninos Borba e Pedro.

Felizes e crentes da nossa perspicácia, corremos até a casa de Pedro para ver o filme. Cabe dizer que o pai de Pedro era mais liberal, por isso podíamos ver o filme tranquilamente. Acho até que ele teria alugado a fita se tivéssemos pedido a ele, e me poupado de me imaginar – mesmo que por 10 segundos – preso, na Penitenciária Urso Branco, com uma cicatriz no rosto, fumando um cigarro e tendo que virar melhor amigo de algum boliviano que provavelmente se chamaria CASTOR e comandaria o crime do bairro do CALADINHO. Se fosse hoje em dia, com certeza ele teria até baixado o filme.

Lembro vagamente do roteiro, e especificamente de três cenas que ficaram encarceradas na minha mente até hoje, logicamente coincidentemente cenas de sexo. Por um bom tempo esse foi o meu exemplo de COMO FAZER A PARADA DIREITO, TÁ LIGADO? Lembro das cenas, dos movimentos, da cor da calcinha da Sharon Stone e até da fachada do prédio. Enfim, um filme – que agora não sei se realmente é bom ou ruim – que abalizou uma época.

Voltemos agora aos Massive Attack.

Dias atrás eu estava tendo uma conversa cabulosa pelo mensageiro, daquelas que tu precisa manter o nome dos envolvidos em segredo para evitar danos à integridade física e moral. Vamos chamar a mocinha de Scarlett Johansson. Pois eis que eu conversava com Scarlett sobre Massive Attack, e sobre como uma determinada música, aparentemente sem explicação alguma, me soava com uma freqüência sexual sinuosa, quase um mantra, e que naquele exato momento eu me imaginava penetrando-a ao som e constância daquela música.

Scarlett não lembrava ou conhecia a música pelo nome, no que eu rapidamente enviei, para seu deleite. Pausa para ouvir. Ela responde:

– Delícia. Acho que já ouvi essa música, não é de algum filme?

Só aí eu fui fazer o que já deveria ter feito há tempos: adentrar o pai gúgol e digitar as malditas palavras que curam, salvam e libertam (alô, Franciel): UNFINISHED SYMPATHY.
O primeiro linque que me apareceu foi este. Lendo, percebi que não sou apenas eu que acho a música fantástica.

Mas eu me assusto mesmo quando chego num determinado trecho:

Recorte da imagem do trecho

Mas será possível o Benedito?

Fiquei impressionado tentando entender se havia alguma relação, já que a música me soava tão natural e conhecida. Não sei se era realmente motivo pra ficar surpreso, são as peças que esse DIVERTINTE que é o nosso cérebro nos prega. Não satisfeito, fui procurar as minhas cenas preferidas pelo vasto mundo da wide world web. Eis que as encontro facilmente no Youtube:

Em seqüência, a linda cena da calcinha preta no restaurante (até os 4’30’’) logo antes da famosa cena que eu nomeei PILASTRADA:

E por ultimo, minha cena preferida, onde não mais me surpreendi com a trilha sonora. Entre gemidos, Sharon Stone e Willian Baldwin batalhando ao som de Unfinished Sympathy – Massive Attack.

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6 Responses to “Simpatia infinita”


  1. 1 Renata 27/11/2009 às 2:03 pm

    Nossa, eu realmente fiquei com vontade de ver o filme!
    E ouvir a banda, claro!

  2. 2 Tatiana 27/11/2009 às 3:32 pm

    Hahaha. Muito bom. Eu acho que nunca vi esse filme completo.

    Massive Attack é massa (ó o trocadilho). Ano que vem tem álbum novo. Não sei se tem pra baixar, mas dê uma procurada por vídeos deles no Live from Abbey Road (caso não tenha visto ainda OBVIAMENTE). É muito bom.

  3. 3 Tatiana 27/11/2009 às 3:48 pm

    Retiro o que disse. Vi esse filme sim. O filme é ruim pra caralho. Haha. Tava confundindo com Instinto Selvagem.

  4. 5 vanescaff 27/11/2009 às 6:37 pm

    Esse Baldwin tem A PEGADA, viu? Benzadeus.

  5. 6 Renan Alfaia 30/11/2009 às 5:49 pm

    Eu nunca vi invasão de privacidade. Nem instinto selvagem. A minha única referência de Sharon Stone é na música do Hermes e Renato, Jesus Negão, quando eles falam o nome dela e uma voz de fundo fala: GOSTOSA!

    =X


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