Fácil como sorrir

Sábado silencioso, quase 18h, saio cansado do escritório em direção aos prováveis sonhos que me esperavam na cama quente do meu quarto. No momento em que piso fora do prédio meu celular toca. Era minha mãe do outro lado, fazendo as perguntas carregadas de preocupação de sempre.

– Tá onde? Tá com quem? Vem pra casa? Almoçou? Almoçou o que? Almoçou com quem? Tá com fome? Tá chegando? Tá onde? Vai jantar?

Praticamente uma metralhadora coruja. Bastava ela me dar a última informação:

– Tem comida em casa não.

Ok. Fui então pelo caminho pensando em opções que saciassem minha alma de gordo. Tinha baixado uns filmes novos e esperava passar a madrugada assistindo-os e comendo qualquer bobagem que entupisse minhas coronárias. Vi o Habib’s, na Pituba, e tive boas lembranças de um suco de morango batido com leite. Fiz o retorno e entrei na fila do drive-thru.

O local da orgia.

Da outra ponta vinha uma atendente gordinha e sorridente, pré-anotando os pedidos na tentativa de agilizar o processo. Parou na minha janela e tomou nota:

– Confirmando: 02 minikibes cremily, 01 kibe normal, 02 esfihas de carne, 03 de queijo e um suco de morango com leite 500ml.

– Isso mesmo.

– Mais alguma coisa, sr.?

– Não, só isso mesmo, obrigado. – e sorri pra ela.

E pronto, ela rasgou o papel encardido no meio e me entregou. Cheguei na frente do caixa e lá estava outra gordinha sorridente. Deve ser pré-requisito do Habib’s.  Entreguei o papel pra ela e sorri de volta. Abusei da sorte.

– Deseja mais alguma coisa, sr.? – e abriu mais o sorriso.

– Não, obrigado.

– Tem certeza que não deseja mais um pastel de belém por apenas 80 centavos? – e o sorriso escancarou.

– Não, valeu.

– Não gostaria de uma sobremesa? – e o sorriso dela bateu na testa.

– Não, não, já estou satisfeito.

A mulher então faz uma cara que eu não posso chamar de outra coisa que não seja de SAFADA. Na minha mente surgiram duas palavras: BARRA MEDO. Ela estava prestes a se jogar pela janela do carro, e o pior: ia entalar tudo.

– Satisfeito mesmo? Se me pedir com jeitinho eu passo pra você sem registar.

– …

Minha mente estalou e me tirou da letargia momentânea. Caralho, será que essa mulher tá me queixando?

– Não, fica pra próxima.

– Eu passo pra você. Qualquer coisa.

A mulher não desistia, e eu já havia negado de todas as formas possíveis. Fiquei quieto, e ela largou um – QUE PENA.

É mesmo, que pena, pensei. Perdi a chance de pegar a gordinha sorridente do drive-thru do Habib’s da Pituba. Na próxima, quando tiver na pindaíba, vou lembrar: sorria, é fácil assim.

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10 Responses to “Fácil como sorrir”


  1. 1 Carlos 07/04/2010 às 3:11 pm

    hehehehehehe…

    Meu velho, então na crise total, eu vou no Habibs mesmo… Pra comer.. não, não é esfirra não.. rs

    Um grande abraço, Borba

  2. 2 Tatiana 07/04/2010 às 3:28 pm

    Parabéns, vc acaba de escrever seu pior post.

    Qual o problema da menina ser gordinha? (sim, a carapuça serviu). Então se vc tivesse no drive-thru do Habib’s de Santa Catarina e a atendente fosse tão sorridente quanto essa porem loira, magra e do bundão você não ia hesitar em trocar um telefone e ia achar o máximo ela dar em cima de vc. Agora uma gordinha é ridículo e deprimente?

    • 3 borba 07/04/2010 às 4:30 pm

      Calma, vamos por partes:


      Te faço a mesma pergunta: qual o problema em ser gordinha? Eu não sei. Meu texto não fala disso. Em algum lugar do texto tá escrito que ser gordinha é RIDÍCULO e DEPRIMENTE (suas palavras)? Eu só citei o fato pra compor o texto, nada demais.


      Eu já namorei uma gordinha. A menina por quem eu mais fui apaixonado na minha vida, inclusive. Eu já fui gordinho e não tenho problema com isso. Um dos meus melhores amigos é gordinho, eu tenho o maior respeito por ele e não me canso de falar isso.


      Se uma atendente gostosa desse em cima de mim eu ia achar o máximo? COM CERTEZA. E com certeza eu ficaria surpreso da mesma forma. E se viesse com o mesmo papo da gordinha eu acharia ridículo da mesma forma.

      • 4 Tatiana 07/04/2010 às 4:59 pm

        O problema aqui é que vc deixa a característica da garota em foco. Da muito mais atenção ao ridículo dela ser gorda e dar em cima de vc do que a cantada em sí. Se a menina fosse bonita vc ia ver isso com bons olhos (vc mesmo disse) e não ridículo (vc acabou de confirmar que achou ridículo).
        Suas frases “Abusei da sorte”, “Ela estava prestes a se jogar pela janela do carro, e o pior: ia entalar tudo.”, “É mesmo, que pena, pensei. Perdi a chance de pegar a gordinha sorridente do drive-thru do Habib’s da Pituba” demonstram o tom sarcástico da coisa. Não achei isso legal, sabe? hahaha

        Tinha outras coisas pra falar, mas deixa pra lá. Tem gordo que não se ofende, tem gordo que sim (como eu).

  3. 5 borba 07/04/2010 às 5:16 pm

    Bem, analisando friamente, o problema é que

  4. 6 Renata 07/04/2010 às 6:47 pm

    Se ela tivesse usado uma cantada DECENTE não haveria o contrangimento – e nem a graça do texto – que se deve justamente à combinação entre: a) ela ser atentende; b) ter forçado a barra com a história de não querer resgitrar a parada; c) e fazer tudo isso pra pegar o ex-gordinho do Mateus (/medo).

  5. 8 morganamcl 08/04/2010 às 1:30 pm

    ahuauhahuauh ela gostou de vc, hein

  6. 9 Renan 08/04/2010 às 3:39 pm

    HAHAHAHAHAHAHA!!

    BARRA…

    …MEDO!

    se desse, eu faria um desenho.

  7. 10 Lanzo 11/04/2010 às 1:54 pm

    Opa!! No fim do mês vou passar lá pra comer de graça (nos dois sentidos). #LOL


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