Jenifer

Não sei por que diabos em algum momento não iluminado minha mente achou que isso daria uma lista interessante, mas vá lá, não é um tema tão ruim assim. Encarnando a figura de John Cusack em High Fidelity, resolvi desenvolver, em juízo, essa idéia idiota brilhante: as cinco meninas que minha mãe acha que me amaram mais (da arte de inventar temas esdrúxulos).

É bem verdade que não passo de um piá, mas não foi difícil listar cinco benditas que conseguiram enganar a velha.

Será?

Começo então pela 5° (da arte de deixar o mistério pro final), nada mais nada menos que a primeira garota por quem eu chorei na vida. Outras tantas vieram depois, afinal.

Jenifer.

Lá pelos idos de 1997 o pequeno Borba era apenas um aluno da 4° série do Instituto Infantil Marise Castiel, uma pequena escola situada no bairro Alphaville da nossa querida Porto Velho. Nessa idade, é claro que além de estudar um pouco (da arte de não fazer muito esforço e tirar notas boas), ele não queria saber de nada além de jogar ping-pong (campeão invicto do Torneio Marise Castiel de Ping-Pong 97) e totó no recreio, bater uma bolinha nas aulas de educação física e de três meninas (isso, TRÊS! e pra piorar duas eram irmãs): Caroline e Juliana Bessa e, voilà, Jenifer Meira.

O palco do massacre em 97: 8 vitórias, 0 derrotas.

Não lembro os exatos motivos que me levaram a nutrir um sentimento qualquer por Jenifer, mas lembro de algo que eu gostava muito nela: ela era acessível. As irmãs Bessa eram as musas do Marise, as mais bonitas, as mais brilhantes, as mais paparicadas, logo, as mais chatas. Jenifer não era assim. Apesar de bonita ela tinha umas olheiras enormes e o cabelo sempre solto, nem arrumado nem bagunçado. Estava quase sempre brigando com algum menino, e eu achava que aquilo tinha seu charme (mesmo sem nem saber o que era charme).

Fato é que eu tinha algum tipo de atração por ela, e ela retribuía. Talvez tenha sido a primeira menina com quem eu conversava abertamente sobre qualquer bobagem. Outras tantas vieram depois, afinal.

Pois um dia o ano letivo acaba, e com ele não existia a esperança de quem sabe fazer a 5° série na mesma escola que Jenifer (o Marise Castiel só tinha aulas até a 4° série). O pai dela estava sendo transferido pros Estados Unidos, pra alguma filial nova da empresa onde ele trabalhava. Maldita globalização!

E foi justamente no último dia de aula, durante a festa de despedida, que tive a única oportunidade (segundo minha memória deficiente) de conversar com ela sem toda a molecada ficar em volta aos gritos de TÁ NAMORAN-DÔ! TÁ NAMORAN-DÔ! Lembro que eu queria dizer que gostava dela (ou algo do tipo), mas o máximo que consegui falar nesse sentido foi – Queria que você estudasse ano que vem comigo, no que ela fez um rostinho triste e disse – Eu também. Ela emendou um – Vou sentir saudade de você, e eu suspirei – Eu também.

Mais tarde, em casa, só lembro de chegar muito cansado e ir dormir. Deitei e inexplicavelmente comecei a chorar meu primeiro choro de saudades. Fiquei chateado e muito triste por não ter tido coragem de falar pra Jenifer que eu gostava dela.

Pulamos agora pra uma sexta-feira qualquer de muitos anos depois. Família reunida na sala assistindo algum Globo Repórter de tema comum a todos, quando aparece uma entrevista com uma menina aleatória chamada Jenifer. Minha mãe e sua memória de elefante não falham:

– Filho, lembra de uma amiga do Marise que você teve, chamada Jenifer também?

Não precisei de muito esforço pra lembrar.

– Lembro mãe, porque?
– Ela gostava muito de você, hein? – num misto de pergunta e afirmação.
– Ah, gostava, eu acho. Era minha amiga, né. Mas como a senhora sabe?
– A mãe dela que me falava.

Acontece que minha mãe era amiga da mãe dela, se conheciam de um trabalho voluntário no Centro Espírita que a gente freqüentava. Parece que elas falavam bastante sobre nós, mas eu nunca soube disso. Minha mãe nunca tinha comentado.

– Ué, mas…
– Não lembra? Que eu te falei no dia depois da festa de despedida que ela te ligou de noite com a voz baixinha de choro? Você já tava dormindo e eu não quis te acordar…?

Eu não lembrava disso, mas minha mãe lembrava. Acho que ela nunca esqueceu.

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10 Responses to “Jenifer”


  1. 1 Renata 14/04/2010 às 9:14 pm

    Não sei se acredito nessas suas histórias – você era praticamente um menino prodígio! hahaha

    De qualquer forma, é tão bonitinho tudo isso :)

  2. 3 morganamcl 15/04/2010 às 12:25 am

    Ooooo, to com pena de Jenifer. Amor na quarta série é tão lindo <3

  3. 4 Renan Alfaia 15/04/2010 às 9:39 am

    Meio gay dizer isso, mas fiquei até com aperto no coração.

  4. 6 Felipe Miranda 15/04/2010 às 4:32 pm

    Será que alguma leitora do blog vai ser citada?… hein hein hein?

  5. 8 Renan Alfaia 22/04/2010 às 9:53 am

    TENSO!

  6. 9 daniela 03/05/2010 às 4:58 pm

    e aí, os nomes vão ser trocados tipo aquele filme da miss sunshine?


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