Paula

Seguindo a já (não tão) esquecida lista das cinco meninas que minha mãe acha que me amaram mais, vai ali correndo livre na ponta esquerda Paulinha, a 4°.

Paula era minha vizinha nos anos empoeirados que não voltam mais. Se você acompanha o blog (alô vó!) ou já leu este texto aqui você vai reconhecê-la na figura da irmã de Júnior Bill, num parágrafo que termina assim

Júnior Bill também tinha uma irmã, e ela se chamava Paulinha. Aos 10 anos Paulinha gostava de mim. Aos 12 anos eu gostava de Paulinha. Aos 14 anos Paulinha gostava de Higor, que tinha uma irmã chamada Luana, que gostava de mim e era a melhor amiga de Paulinha.

Ninguém nunca pegou ninguém.

Pois aí está uma parte de uma história que começou quando devíamos (eu e Paula) ter uns 6 anos (não sei exatamente, sou péssimo com idades de crianças). Eis que eu, desde então um guri deveras romântico, pedi Paula em casamento.

É. Casamento.

Meu pai tentou me convencer de que um casamento seria bastante dispendioso e que eu não conseguiria arcar com as obrigações matrimoniais, mas nada parecia me fazer desistir dessa grande idéia. Experiente que só ele, o general lançou mão da última cartada, aquele ÁS escondido pro final do jogo:

– Você sabe, quem tem que aceitar é o Seu Nilton, não sabe?

Fui correndo. Seu Nilton estava na varanda, onde passava 80% do seu tempo cuidando das suas plantas, vestindo apenas uma bermuda meio rasgada e sua Rider cor de rosa, já muito conhecida em Rondônia e numa banda do Acre. Esse visual singelo contrastava e muito com o Pastor Alemão  que vivia ao lado dele, o qual não me recordo o nome, apenas que ele tinha 3 vezes o meu tamanho.

Quando Seu Nilton conseguiu dar um intervalo nas gargalhadas depois do meu pedido, a única coisa que ele conseguia perguntar era se minha mãe já sabia dessa história de casamento, que por ele estava tudo bem, mas seria minha mãe e Tia Nilza que deveriam concordar.

E eu que nunca pensei que casar seria tão difícil.

Não lembro o que me fez desistir da idéia, mas acho que foi imaginar a ira das nossas mães reunidas em um golpe de fúria. Continuei namoradinho de Paula, mas como consta no final daquele mesmo parágrafo lá em cima, nunca nos casamos e ninguém nunca pegou ninguém.

Vamos então pro começo do ano de 2010, algumas semanas antes das minhas tão precisadas férias e da visita aos meus camarás da velha Porto. Lembro de minha mãe, num surto momentâneo, procurando algum número de telefone numa agendinha de papel.

– Calma mãe, pra que essa agonia toda?

– Ô filho, tô procurando o telefone da Nilza. Queria tanto que você visitasse ela e o Seu Nilton. De vez em quando a gente se fala. Sabia que a Paulinha não namora mais o (aqui vai o nome do sacaninha que namorou Paulinha por uns 10 anos e que eu esqueci)?

– Claro que não sabia mãe, como eu ia lá saber disso?

– Vocês não conversam pela internet, menino? Msn? Orkut? Nada disso?

– Não, mãe.

Ela fez uma expressão verdadeiramente triste, e completou:

– Mas vocês não se falavam tanto? Vocês se gostavam muito. Lembra que vocês queriam casar?

Vixe memória da porra!

– Tá bom coroa, acha logo o telefone que eu vou na casa deles quando der um tempinho.

Fui lá fazer a visita. Foi legal. Conversamos, relembramos um monte de coisa. Tia Nilza continua bonita e serelepe e Seu Nilton continua exatamente a mesma figura, mas sem a Rider cor de rosa (que foi a primeira coisa que eu reparei quando cheguei lá). Marquei uma saída com Paula, pra felicidade da minha mãe. Juro, deu pra ver o sorriso dela quando eu contei pelo telefone. Iríamos sair num sábado, mas na sexta-feira eu caí de dengue, pra tristeza dupla da minha mãe, e mais uma vez ninguém pegou ninguém.

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5 Responses to “Paula”


  1. 1 jessica 22/06/2010 às 10:43 pm

    e desde quando você pega alguém??????????

    mentiiiiiiiiiiiiira

  2. 2 Taberneira 01/07/2010 às 2:25 pm

    curti, mas estou esperando ansiosamente a primeira colocada… que obviamente sou eu!

    hahahahahahaha

  3. 3 Cat Martins 02/07/2010 às 2:07 pm

    Nacreditooo!! Eu mega empolgada lendo…

  4. 4 Renan Alfaia 06/07/2010 às 7:00 pm

    fijodeputa.

    e eu em casa, fazendo chá de alho-limão-e-mel silvestre pra te curar da tosse e do chulé e você a imaginar-se sob (ou sobre, vai saber) Paulinha em meio a abraços cálidos e penetrações mil.

    ok. passei dos limites. ME MATEM!

    • 5 borba 07/07/2010 às 2:02 pm

      HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA zé ruela.

      1° eu não imaginava nada, quem imaginava (talvez) era minha mãe.

      2° CHÁ RUIM DO CARALHO! – mas acho que foi o que me salvou.

      Grato.


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