Do raciocínio nada nada lógico

Vocês provavelmente já conhecem minha avó. A fama da velha, percebo a cada dia, corre os quatro cantos do mundo. Mas um fato que não é de conhecimento tão público assim é que na verdade toda a minha família é praticamente composta de seres excêntricos (eufemismo pra lunáticos, verdade seja dita).

Prova disso é o meu irmão por parte de pai Eric, 8 meses mais velho que eu, dono de um raciocínio lógico profundo e complexo. Só me dei conta de que ele é uma figura única nesse nosso mundo terreno na semana passada, quando recebi um e-mail maroto dele que descrevia algumas camisas de times/seleções de futebol da sua infindável coleção que ele queria se desfazer. Naquele exato instante me lembrei de um fato não muito distante.

Ao tal fato não muito distante:

O ano é o presente da graça de 2010. O mês eu não lembro ao certo, mas estávamos entre janeiro e fevereiro, quando a cidade pulsa num sentimento de calor chamado carnaval e nós temos que agüentar pelejas do naipe de POÇÕES x IPITANGA (do artilheiro matador do certame, SASSÁ) para chegar às finais do GRANDE CAMPEONATO BAIANO (que provavelmente seria um BaVi).

Um dos últimos jogos da primeira fase classificatória era justamente um BaVi, prestes a acontecer num Barradão entupido de gente até os barrancos. Ânimos exaltados, muito calor e cerveja, gente nas ruas e torcedores apaixonados dos dois lados. Eu iria com meu pai (meu eterno parceiro de arquibancada), um vizinho (também torcedor rubro-negro) e meu irmão, que é torcedor do Bahia.

Historicamente o torcedor baiano é um fanfarrão. Em sua maior parte, não é violento. Esquenta a cabeça quando o time perde do maior rival, mas dá logo uma golada na gelada e leva a gozação (lá ele) numa boa. Mas é claro que tudo tem um limite, e foi pensando que esse limite podia ser extrapolado a qualquer momento que Eric achou por segurança melhor não ir ao território inimigo com sua camisa tricolor. Afinal ele ficaria na parte do estádio destinada à torcida visitante, sozinho, e só nos encontraríamos ao final do jogo para voltarmos pra casa.

Sensato.

Foi daí que meu amado irmão teve uma idéia genial. Pra não ir com sua camisa do Bahia, pegou uma outra da sua vasta coleção. A da seleção francesa.

Touché.

Então veja bem, você que não entende lhufas de futebol, vou ilustrar direitinho:

Essa é a camisa do time do meu irmão.

E essa é a camisa da França.

Vê? Notou algo parecido? Quase nada, né? Ninguém da TUI perceberia.

PS1: Perdemos aquela partida, o que não fez muita diferença já que fomos os primeiros na classificação geral e

PS2: ganhamos o Campeonato, deixando os rivais na fila por mais um ano (já são 9 sem ganhar nada).

PS3: Mesmo com o uniforme dos Bleus e a vitória do Bahia, meu irmão não sofreu danos maiores, e todos chegaram em casa sãos e salvos.

PS4: Aproveito o ensejo para dizer que, querendo, é só entrar em contato com o sacaninha que ele lhe manda um catálogo com as camisas da coleção: costa.eric@hotmail.com (e falem que eu indiquei, pra que eu receba a comissão).

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7 Responses to “Do raciocínio nada nada lógico”


  1. 1 Marcio Melo 22/10/2010 às 8:54 pm

    Esse não tem medo de morrer

  2. 2 Neto 23/10/2010 às 10:04 pm

    Eric é um gênio. Cuidado Borba to sentindo cheiro de série B no ar, KKkkkkkk, e já fui com a camisa do Bahia para o barralixo e nunca rolou nada tenso não, normalmente acontece com quem procura a confusão.

  3. 4 Renan Alfaia 25/10/2010 às 9:08 am

    UMBORA BAÊA MINHA PORRA!!!

  4. 6 Carlos Vin 29/10/2010 às 1:00 am

    Ae Grande Borba, entrando aqui pra da umas olhadas (la ele)..rs.. Que fazia tempo que nao entrava (la ele)..rs E como sempre um texto hilario ne brother… Foda, massa… Seu irmao é maluco, mas tem a cabeça no lugar – Bora Bahia!
    vumBora Subir Bahia

    Um grande abraço, meu Irmão!

  5. 7 O garoto grisalho da jaqueta azul tanto zoada 01/12/2010 às 10:41 pm

    Passei aqui por que tava lendo os depoimentos do meu profile e falei pro meu irmao algo como “Vou definir a escrita dos caras”

    o Andrews é ‘um adjetivo que eu ainda nao sei’ e poetico

    o Mateus é poetico e abstrato

    o Filipe é sarcástico e objetivo

    Mas ai entrei em algum blog mais proximo que eu pudesse escrever isso tudo, li a estoria do Eric, e lembrei que o Mateus na verdade é (também) hilário e ‘um adjetivo que eu nao sei’, o Andrews é que é abstrato mesmo, e poético. Apesar de que eu acho que poético é muito amplo, quase um adjetivo coringa preguiçoso, mas a própria pessoa que disse sabe do significado, e ele pode ser algo complexo e bem definido ao mesmo tempo. E o Filipe, além de ser sarcástico, visionário e objetivo, possui personalida tão bem definida no estilo escrito, que temo não definir bem, e, por isso, não se definir parece mais justo.

    Um abraço aos putos


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