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CINCO ZERO ZERO

Noite de um sábado qualquer perdido no meio de maio, me liga minha vó:

– Teus, preciso de um dinheiro emprestado. CINCO ZERO ZERO.

Dei uma risadinha.

– Ok velha, mas porque a senhora está falando igual a uma mafiosa? Não pode falar o número não?

Rápida, ela replicou:

– Mafiosa é a puta que lhe pariu.

Dei uma risadona. Estranho vai ser quando a velha passar uma semana inteira sem me ligar pra zoar meu time (BROCA O PEIXE VITÓRIA) ou me xingar aleatoriamente no meio da tarde com seus belos adjetivos já bastante difundidos na Boca do Rio e numa banda de Cajazeiras: CARA – DE – BUÇANHA – SECA – TORRADA – DAQUELAS – AMASSADAS – QUE – APANHAM – A – NOITE – TODA.

– A senhora é uma coroa descarada mesmo, hein! Me liga pra pedir dinheiro e ainda xinga minha progenitora!

Ela nem deu trela, e continuou:

– E, ó, pra segunda-feira. Meio dia eu te ligo pra confirmar o depósito. Beijo, cara de buçanha roxa. – E desligou.

Até me assustei. Juro que se não fosse o último adjetivo soando tão natural ali pintado em roxo no final, eu ia achar que a velha tava sendo sequestrada, tinha enchido a porra da paciência do sequestrador e ele tava pedido qualquer quientinhos só pra não sair no preju.

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Jenifer

Não sei por que diabos em algum momento não iluminado minha mente achou que isso daria uma lista interessante, mas vá lá, não é um tema tão ruim assim. Encarnando a figura de John Cusack em High Fidelity, resolvi desenvolver, em juízo, essa idéia idiota brilhante: as cinco meninas que minha mãe acha que me amaram mais (da arte de inventar temas esdrúxulos).

É bem verdade que não passo de um piá, mas não foi difícil listar cinco benditas que conseguiram enganar a velha.

Será?

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Fácil como sorrir

Sábado silencioso, quase 18h, saio cansado do escritório em direção aos prováveis sonhos que me esperavam na cama quente do meu quarto. No momento em que piso fora do prédio meu celular toca. Era minha mãe do outro lado, fazendo as perguntas carregadas de preocupação de sempre.

– Tá onde? Tá com quem? Vem pra casa? Almoçou? Almoçou o que? Almoçou com quem? Tá com fome? Tá chegando? Tá onde? Vai jantar?

Praticamente uma metralhadora coruja. Bastava ela me dar a última informação:

– Tem comida em casa não.

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Vou em qualquer direção

Se a dor que sinto no peito sou fraco por sentir
É que há dor que ainda pese e me faz omitir
E se há outro caminho pr’onde eu possa ir
Continuo com a ferida que é maior do que ferir
Sem saber se continuo porque sempre vejo em ti
Ou se sigo outro caminho, o que não quero seguir.

Mcbess

Não lembro como eu conheci o trabalho do cara, mas um dia desses me deparei com esse site enquanto navegava na internerds.

Essa daí tá no meu desktop.

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Um lugar chamado Nhô Caldos

Lembro exatamente do dia em que comecei a freqüentar o Rio Vermelho, bairro boêmio obrigatório na cidade de São Salvador. Na época eu andava meio emputecido, tinha acabado de sair de um relacionamento (aka tomei um pé na busanfa) e passava as noites no quarto chorando minhas milongas.

Daí que um amigo da velha Porto estava na cidade por uns dias e me ligou pra marcar uma saída, aproveitando para conhecer algum lugar legal desta bela e besta província, pererê caixa de fósforo.

– Maldição! Eu não conheço lugar nenhum! Mas vou dar um jeito, peraí que já te ligo!

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Dos dias de calor

É, mais um texto falando do maldito calor que tá fazendo nessa maldita cidade. Não vou nem pro lado da(s) cratera(s) na camada de ozônio, seguindo pelo derretimento das calotas polares, emissão de gases poluentes, muito menos tratados de Kyoto, Genebra ou Versalhes. Vou falar simplesmente de algo que me deixa pirado, o calor.

Porque, na boa, ta fazendo calor pra caralho.

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