Posts Tagged 'história'

Paula

Seguindo a já (não tão) esquecida lista das cinco meninas que minha mãe acha que me amaram mais, vai ali correndo livre na ponta esquerda Paulinha, a 4°.

Paula era minha vizinha nos anos empoeirados que não voltam mais. Se você acompanha o blog (alô vó!) ou já leu este texto aqui você vai reconhecê-la na figura da irmã de Júnior Bill, num parágrafo que termina assim

Júnior Bill também tinha uma irmã, e ela se chamava Paulinha. Aos 10 anos Paulinha gostava de mim. Aos 12 anos eu gostava de Paulinha. Aos 14 anos Paulinha gostava de Higor, que tinha uma irmã chamada Luana, que gostava de mim e era a melhor amiga de Paulinha.

Ninguém nunca pegou ninguém.

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CINCO ZERO ZERO

Noite de um sábado qualquer perdido no meio de maio, me liga minha vó:

– Teus, preciso de um dinheiro emprestado. CINCO ZERO ZERO.

Dei uma risadinha.

– Ok velha, mas porque a senhora está falando igual a uma mafiosa? Não pode falar o número não?

Rápida, ela replicou:

– Mafiosa é a puta que lhe pariu.

Dei uma risadona. Estranho vai ser quando a velha passar uma semana inteira sem me ligar pra zoar meu time (BROCA O PEIXE VITÓRIA) ou me xingar aleatoriamente no meio da tarde com seus belos adjetivos já bastante difundidos na Boca do Rio e numa banda de Cajazeiras: CARA – DE – BUÇANHA – SECA – TORRADA – DAQUELAS – AMASSADAS – QUE – APANHAM – A – NOITE – TODA.

– A senhora é uma coroa descarada mesmo, hein! Me liga pra pedir dinheiro e ainda xinga minha progenitora!

Ela nem deu trela, e continuou:

– E, ó, pra segunda-feira. Meio dia eu te ligo pra confirmar o depósito. Beijo, cara de buçanha roxa. – E desligou.

Até me assustei. Juro que se não fosse o último adjetivo soando tão natural ali pintado em roxo no final, eu ia achar que a velha tava sendo sequestrada, tinha enchido a porra da paciência do sequestrador e ele tava pedido qualquer quientinhos só pra não sair no preju.

Jenifer

Não sei por que diabos em algum momento não iluminado minha mente achou que isso daria uma lista interessante, mas vá lá, não é um tema tão ruim assim. Encarnando a figura de John Cusack em High Fidelity, resolvi desenvolver, em juízo, essa idéia idiota brilhante: as cinco meninas que minha mãe acha que me amaram mais (da arte de inventar temas esdrúxulos).

É bem verdade que não passo de um piá, mas não foi difícil listar cinco benditas que conseguiram enganar a velha.

Será?

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Rua 7, Quadra 4, Cuniã

Minha infância em Porto Velho foi uma daquelas que tu conta pros amigos com brilho nos olhos e cheiro de nostalgia exalando em cada palavra, mas não tem muito de diferente da infância da maioria dos guris da minha geração: se dividia entre acordar, estudar e RUA, com o agravante de algo que você talvez tenha lido na primeira parte do texto: CASCALHO. Todo meu bairro jazia logo acima de uma vigorosa camada quase virgem composta de terra marrom escura, pedregulhos pontudos e objetos não identificáveis.

Alguém ensina pro Google que "Porto" não tem acento.

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A velha Porto

Se você é um dos meus milhares de leitores (abraço pai, beijo mãe) que reside na cidade de Salvador e me conhece pessoalmente, posso te garantir uma coisa – na verdade duas: a primeira é que eu sou um cabra macho retado; a segunda é que eu sou o único ser humano nascido/criado/vivido em Porto Velho que você conhece e provavelmente vai conhecer durante sua estadia na Terra.

Tudo começou quando meu velho, ainda um jovem recém-formado na corporação militar do Estado da Bahia, teve a oportunidade de fazer um concurso para tentar seguir carreira militar no Estado de Rondônia. Você leu certo: Rondônia. Sem muitas opções, com um filho fora do casamento e esta figura que vos digita já engatilhado no útero de minha mãe, lá foi ele. Foi e passou.

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